Ao longo de mais de duas décadas atuando com Constelação Sistêmica, Psicanálise e Terapias Integrativas, percebi que o segredo de uma sessão profunda começa antes mesmo de se sentar em frente ao cliente. A autoconexão do terapeuta é a base silenciosa de todo atendimento sensível, capaz de abrir caminhos autênticos para a cura nas relações. Trago hoje um guia prático, inspirado nas vivências e ensinamentos presentes em meu ebook e no cuidado diário do Instituto Flor de Liz. São sete passos para quem deseja mergulhar na própria história, acolher emoções e renovar olhares sobre si, integrando práticas sistêmicas de autoconhecimento à rotina profissional.

Por que a autoconexão é fundamental para terapeutas?
Acredito que a escuta só se torna realmente empática quando já tocou antes o território íntimo das nossas crenças e emoções. Só assim é possível separar o que é meu do que pertence ao outro, prevenindo envolvimentos desmedidos. Vejo claramente nos grupos e atendimentos do Instituto Flor de Liz como esse cuidado aumenta a clareza, o respeito e o amorosidade nas sessões. Com base na minha experiência, reuni exercícios sistêmicos para trazer mais presença, leveza e saúde emocional para quem cuida do outro.
Curar relações é, antes, aprender a curar-se um pouquinho a cada dia.
Sete passos para autoconexão do terapeuta: o caminho na prática
1. Ative a respiração consciente
Antes de iniciar qualquer encontro ou sessão, pare por um minuto. Feche os olhos, inspire profundamente pelo nariz, e solte o ar de modo prolongado. Perceba o ar que entra e sai, focando na passagem pelo corpo. Busque sentir onde existe tensão e simplesmente observe, sem cobrança de mudar nada.Esse primeiro contato com a respiração é como abrir a janela para o momento presente.
2. Sintonize com seu campo emocional
Eu costumo usar perguntas simples, mas potentes: “Como estou me sentindo agora?”, “De onde vem essa emoção?” Nomear as emoções, sem julgamento, já diferencia o que é antigo do que é do momento.Muitas vezes, anotar em um diário ou planner de autoconhecimento (um dos recursos que também desenvolvo no Instituto Flor de Liz) traz clareza sobre movimentos internos.
3. Reconheça suas crenças familiares
Quais frases da infância você ainda carrega? O que aprendeu sobre sucesso, fracasso, pertencimento ou afeto? Sugerir ao terapeuta um exercício rápido: escreva pelo menos três frases presentes em sua educação ou família que o impactaram. Observe se alguma delas está ativada em seu dia, na semana ou até nas relações com clientes.
- “Tenho que resolver tudo sozinho”.
- “Não posso fraquejar”.
- “Preciso agradar para ser aceito”.
Ao reconhecer as raízes dessas crenças, abrimos espaço para compreendê-las e, se necessário, começar o caminho da transformação.
4. Pratique o enraizamento sistêmico
Gosto muito dessa prática pela simplicidade e efeito real. Sente-se com os pés firmes no chão. Imagine que deles saem raízes que penetram profundamente na terra. Visualize essas raízes se ramificando, trazendo firmeza, nutrição e pertencimento.
Se preferir, pode associar ao uso de cards terapêuticos, como os “Imagens que Falam” ou “Falas Sistêmicas”, criados no Instituto Flor de Liz para favorecer o autoconhecimento visual.
Sentir-se enraizado é lembrar a si mesmo: você pertence, está seguro, pode confiar.
5. Identifique padrões repetitivos
Um exercício muito valioso é observar situações recorrentes. Anote situações que se repetem em sua semana, tanto com clientes quanto no convívio pessoal. Pergunte-se: “O que eu sinto nessas situações? Posso perceber algum padrão vindo da minha história?”
Identificar padrões é descobrir onde ainda posso crescer e me libertar, beneficiando não só a mim, mas também ampliando as possibilidades de cura nas relações dos clientes.
6. Faça um ritual de autocuidado
Nessa etapa, proponho incluir elementos que conectem corpo, mente e alma. Pode ser uma meditação curta, uso de florais, água, música suave ou uma caminhada silenciosa. Escolha algo prazeroso que te traga descanso e centramento, mesmo nos dias mais intensos.
- Banho relaxante com atenção plena.
- Uso de florais de Bach ou óleos essenciais.
- Pequenos rituais com água, como no Método Aquarius, especialmente criado para trazer fluidez ao processo terapêutico.
Esse momento, embora simples, reenergiza e resgata a inteireza do terapeuta.
7. Agradeça e honre sua trajetória
Antes de encerrar o dia, olhe amorosamente para tudo que atravessou, tanto os bons quanto os difíceis momentos. Agradeça por quem você se tornou e por tudo que recebeu, dos ancestrais aos mestres e clientes. Muitas vezes, sugiro visualizar mentalmente as pessoas que fizeram parte do seu caminho e expressar gratidão, em silêncio ou por escrito.
Honrar sua história é o primeiro passo para reconhecer a força que você já tem.
Como integrar esses passos à rotina?
Na vivência diária do Instituto Flor de Liz, observo que pequenas práticas, quando feitas com constância, ajudam a estabilizar mente e emoções. Você não precisa fazer os sete exercícios em sequência todos os dias. Pode escolher um a cada manhã ou uma combinação no início ou fim do expediente, ajustando conforme a necessidade do momento.
Para apoiar ainda mais este processo, recomendo a leitura de conteúdos como exercícios para terapeutas e reflexões sobre autoconexão e terapia, que compartilho no blog para inspirar essa jornada.
Conclusão
Criar espaço para a autoconexão é um presente não apenas para si, mas para cada cliente e relação que tocamos. Nos bastidores de cada atendimento, está a presença viva de quem sabe cuidar de si e expandir esse cuidado ao outro. Eu acredito profundamente: quando um terapeuta se cuida, toda a rede de vínculos ao redor se beneficia, e a cura nas relações se potencializa continuamente.
Conheça mais sobre os materiais, cursos e recursos terapêuticos desenvolvidos com carinho no Instituto Flor de Liz. Permita-se experimentar práticas transformadoras que fortalecem o seu olhar, ajudam no autoconhecimento e criam novas possibilidades para seus atendimentos e para sua vida. Estou disponível para compartilhar, escutar e construir, junto, esse caminho de cura e crescimento contínuo.
Perguntas frequentes sobre exercícios sistêmicos para terapeutas
O que são exercícios sistêmicos para terapeutas?
Exercícios sistêmicos para terapeutas são práticas desenvolvidas para promover autoconexão, ampliar a consciência sobre padrões pessoais e fortalecer o olhar sobre as relações familiares e profissionais. Eles são inspirados em princípios da Constelação Sistêmica, Psicanálise e Terapias Integrativas e têm como objetivo principal preparar o terapeuta para um trabalho mais claro, acolhedor e livre de repetições inconscientes.
Como praticar exercícios de autoconexão em casa?
A prática pode ser simples e adaptada ao ritmo da rotina. Sugiro reservar alguns minutos pela manhã, antes do início dos atendimentos, para exercícios de respiração, escrita terapêutica, visualizações ou rituais de bem-estar. O importante é a constância e a escolha de práticas que tragam sentido e conexão com seu mundo interior. Não exige equipamentos ou ambientes especiais, apenas presença e intenção.
Esses exercícios ajudam na cura das relações?
Sim, eles contribuem bastante, pois favorecem o autoconhecimento, o reconhecimento de crenças e emoções, e com isso o terapeuta se torna mais apto a ajudar seus clientes na transformação de vínculos e padrões. Quando o terapeuta está presente, consciente e inteiro, o andamento das sessões ganha mais profundidade e respeito, promovendo o avanço nos processos de cura nas relações.
Quais os benefícios dos sete passos sistêmicos?
Os benefícios incluem maior equilíbrio emocional, clareza sobre limites profissionais, prevenção de transferências emocionais, fortalecimento do autocuidado e reconhecimento da própria história de vida. Além disso, ao praticar esses sete passos, o terapeuta experimenta mais energia, leveza e confiança para acompanhar o cliente em seus desafios, tornando o atendimento mais afetivo e potente.
Exercícios sistêmicos servem para todos os terapeutas?
Sim, os exercícios sistêmicos podem ser praticados por terapeutas de diversas linhas e abordagens. Mesmo quem atua em áreas distintas, como psicologia, coaching ou práticas integrativas, pode se beneficiar da autoconexão, tornando-se mais próximo de si e dos clientes. O importante é ajustar a prática de acordo com a necessidade pessoal e profissional, sempre respeitando limites e singularidades.
Sayonara Crema
Constelação Sistêmica | Consultoria Organizacional
Psicanálise Clínica | Terapeuta Integrativa | Escritora
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