Ao longo de mais de vinte anos de atuação no Instituto Flor de Liz, pude testemunhar histórias de transformação impressionantes, todas entrelaçadas por um fio invisível chamado “crenças limitantes”. E, para ser sincera, durante minha própria caminhada, também precisei me deparar com essas vozes internas, que muitas vezes parecem sussurrar: “Você não pode”, “Isso não é para você” ou “Melhor não tentar”.
Hoje quero compartilhar, com todo carinho, conhecimento e experiência, como reconhecer padrões internos que já não servem mais e dar espaço para uma nova versão de si mesma. Talvez você se perceba repetindo um ciclo, sentindo-se travada, ansiosa ou insegura. Se sim, saiba que é possível transformar essas dinâmicas. Eu já vi, e vivi, mudanças reais acontecerem.
O que são crenças limitantes e como surgem?
Crenças que restringem e constrangem nosso desenvolvimento não nascem do nada. Em geral, começam a ser construídas desde muito cedo, ainda na infância. Eu costumo explicar que são “verdades” que passam a ser aceitas sem questionamento, como se fossem leis universais. Muitas vezes, elas vêm de frases ouvidas repetidamente, experiências marcantes ou até mesmo da necessidade de se encaixar em padrões familiares e sociais.
Na minha vivência clínica, vejo frequentemente pessoas que carregam frases como:
- Eu nunca sou o bastante.
- Se eu errar, serei julgada.
- Dinheiro é difícil e só traz problemas.
- Homens/ mulheres são todos iguais.
- Não sei fazer nada direito.
Essas certezas pequenas, quase imperceptíveis, nascem do ambiente em que crescemos, da educação formal e informal, dos papeis sociais que assumimos e das experiências que marcam nosso caminho. O Instituto Flor de Liz destaca que padrões como estes influenciam diretamente nossa autoestima, motivação e capacidade de realizar mudanças consistentes em todas as áreas da vida.
Como se formam esses padrões dentro de nós?
Eu gosto de pensar que somos como jardins: recebemos sementes, algumas florescem em potencial, outras brotam como “ervas daninhas” que travam nosso crescimento. Frases marcantes ou situações dolorosas se instalam de mansinho e, sem perceber, passam a guiar pensamentos, emoções e comportamentos. Muitas dessas limitações vêm de:
- Experiências vividas na infância – como críticas, rejeição ou superproteção.
- Discursos e crenças repetidas pela família, escola, religião ou cultura.
- Eventos marcantes (traumas, perdas, fracassos).
- Comparações negativas constantes.
- Relações afetivas instáveis ou codependentes.
Já acompanhei, por exemplo, mulheres incríveis que acreditavam não conseguir sair de relacionamentos abusivos, não por falta de força, mas por carregarem há anos a ideia inconsciente de que “amor exige sofrimento”. Outras pessoas chegam a mim carregando o medo excessivo do erro profissional, acreditando que “fracassar” é imperdoável, pois foram ensinadas que tudo precisa ser perfeito.
Exemplos práticos: como essas crenças atuam no dia a dia
Para ilustrar, quero trazer exemplos bem cotidianos, que talvez até soem familiares para você:
- Na carreira: Alguém que aprende desde pequeno a “não aparecer demais”, cresce com medo de expor suas ideias. Tem dificuldade em se posicionar em reuniões, pedir aumento ou aceitar desafios. A crença escondida é “melhor não arriscar do que falhar e ser ridicularizado”.
- Nos relacionamentos: Essas ideias também podem aparecer na forma de insegurança, medo do abandono, ciúme excessivo e autossabotagem. Por exemplo, a frase “ninguém pode ser totalmente confiável” sabota vínculos profundos e saudáveis.
- Na relação com dinheiro: Podemos observar como mensagens do tipo “dinheiro afasta as pessoas” ou “quem enriquece vira alguém ruim” criam bloqueios invisíveis à prosperidade e à estabilidade financeira.
- Na saúde e autocuidado: Crenças do tipo “meu corpo nunca vai ser bonito” ou “cuidar de mim é egoísmo” levam à autonegligência e, em casos extremos, a comportamentos autodestrutivos e outras vezes uma busca incessante e incansável pela juventude eterna.
Por trás de quase toda dificuldade persistente, costuma existir uma crença que limita, não protege.
O impacto sobre autoestima, emoções e escolhas
Esses padrões deixam marcas profundas. É comum que trazem culpa, vergonha, medo e um senso persistente de insuficiência. Ao longo da vida adulta, as consequências podem ser:
- Baixa autoconfiança e dificuldade de se valorizar.
- Medo exagerado de crítica e fracasso.
- Procrastinação ou autossabotagem recorrente.
- Relacionamentos instáveis ou insatisfatórios.
- Sentimento de estagnação ou “não pertencimento”.
Ao lidar com essas emoções, alguns podem se fechar, aceitar relacionamentos tóxicos ou buscar alívios imediatos, como comida, compras e excesso de trabalho.
A importância do autoconhecimento para identificar padrões
Quase sem perceber, os pensamentos automáticos se instalam. Questionar essas ideias exige coragem e presença, mas principalmente autoconhecimento. E este sempre foi, para mim, o grande ponto de virada.
Quando entendo o que sinto, começo a entender o que preciso mudar.
No Instituto Flor de Liz, usamos a integração de abordagens, como a constelação sistêmica, psicanálise clínica, métodos integrativos e ferramentas terapêuticas — para facilitar esse mergulho. Recursos visuais, como cards terapêuticos e diários de autoconhecimento, facilitam trazer ao consciente aquilo que atuava “no escuro”, abrindo espaço para mudanças profundas.
Sinais de que estou repetindo um padrão limitante
- Sempre justifico meus fracassos de maneiras semelhantes (“É sempre assim comigo”, “Nunca consigo mesmo”).
- Avalio desafios pelo medo, antes mesmo de imaginar possibilidades.
- Repito comportamentos que me fazem mal, mesmo querendo algo diferente.
- Sinto um “peso” emocional desproporcional frente a situações específicas.
- Comparo-me constantemente aos outros, sempre sentindo que falta algo em mim.
Se algum desses pontos ressoou com você, quero dizer com todo carinho: reconhecer já é um passo precioso. Autoconhecimento é o antídoto contra padrões automáticos.
Como questionar e transformar crenças limitantes?
No meu trabalho terapêutico, percebo que mudar essas ideias não acontece de um dia para o outro. É um processo estruturado, com etapas e escolhas conscientes. Quero compartilhar alguns passos e técnicas que utilizo, e que recomendo, seja você uma profissional da área de ajuda, ou alguém apenas querendo começar sua transformação pessoal.
Passo 1: Identificação
Comece reconhecendo o pensamento automático. Quando estiver insegura ou travada, escreva: “Que verdade estou aceitando aqui, sem questionar?”.
Passo 2: Acolhimento
Evite o julgamento. Acolher é reconhecer que, em algum momento, essa “verdade” foi uma tentativa do seu sistema interno de proteger você. Hoje, talvez, só já não faça mais sentido.
Passo 3: Questionamento
Pergunte-se: “De onde veio esse pensamento?” ou “Quem me dizia isso quando eu era pequena?”. Às vezes é de um adulto, um professor, uma experiência dolorosa, uma crença da sociedade.
Passo 4: Ressignificação
Busque outras leituras para a mesma situação. Pergunte: “Isso é verdade absoluta ou apenas foi verdade no passado?” e “Que outras pessoas já conseguiram quebrar esse padrão?”.
Passo 5: Ação consciente
Comprometa-se a experimentar um novo comportamento, ainda que de forma pequena. O segredo é celebrar pequenos avanços. Um exemplo: se a insegurança é apresentar um projeto no trabalho, tente sugerir uma ideia em uma roda menor. Se o medo é se expor, escreva para si mesma qual o passo mínimo possível.
Técnicas de apoio que recomendo e utilizo no Instituto Flor de Liz
- Constelação sistêmica: Esse método, tanto em grupo quanto individual, revela dinâmicas ocultas e origens profundas de padrões familiares e sociais. Com as vivências em Constelação na Água – Método Aquarius, percebo mudanças concretas em autopercepção e autoaceitação, quebrando correntes que prendiam gerações.
- Psicanálise clínica e terapia integrativa: Ferramentas importantes para acessar conteúdos inconscientes, ressignificar traumas e dialogar com as próprias vulnerabilidades.
- Materiais complementares e recursos terapêuticos: Cards com imagens, exercícios de autoconhecimento, roteiros de dinâmicas, planners, diários e recursos visuais. São aliados poderosos para dia a dia.
- Práticas corporais e de cuidado: A respiração, o toque, os movimentos suaves e o contato com a natureza ativam novas rotas de aprendizado e relaxamento, trazendo presença e abrindo espaço para pensar diferente.
Transformar crenças é um ato de coragem e amor-próprio. Pequenas ações fazem grandes diferenças.
A força das abordagens integrativas para a mudança
O que me encanta na visão sistêmica é perceber que somos parte de algo maior e que podemos, sim, romper ciclos. Cada atendimento, cada curso, cada encontro em grupo, mostra que quando um padrão se dissolve, novos caminhos surgem, e não só para quem busca ajuda, mas para todos ao redor.
Por exemplo, já participei de constelações organizacionais com líderes e equipes que descobriram, juntos, que por trás do clima pesado no trabalho se escondia, na verdade, a crença coletiva de que pedir ajuda era sinal de fraqueza. Ao abrir espaço para conversas honestas, dinâmicas de pertencimento e relacionamentos mais genuínos, vi empresas mudarem, e pessoas reencontrarem propósito profissional.
Sinal de avanço: a diferença entre não conseguir e não tentar
Talvez um dos marcos que mais vejo nos processos de mudança é quando a pessoa reconhece que, antes, nem sequer tentava – e agora já consegue experimentar, ainda que devagar. Isso demonstra que a crença perdeu força. Nesta etapa, o medo de errar diminui, e o prazer de avançar, mesmo com riscos, toma o lugar do medo.
Como evitar recaídas e fortalecer o novo padrão?
Transformar pensamentos automáticos exige constância. Em minha experiência, manter o resultado envolve três atitudes principais:
- Consciência diária: Lembrar-se, todos os dias, de que aquilo que parecia “lei” era apenas um aprendizado antigo que pode ser atualizado.
- Redes de apoio: Compartilhe avanços e dificuldades com terapeutas, grupos de confiança ou pessoas que também estão mudando padrões. O apoio acelera e sustenta o processo.
- Autocompaixão: Perdoe recaídas. Faz parte do processo. Cada reflexão, cada tentativa conta como passo no caminho.
No blog do Instituto Flor de Liz, inclusive, já escrevi sobre como fortalecer-se após identificar limitações e manter-se em movimento, mesmo quando parece difícil.
Nos bastidores do funcionamento desses padrões
Nem sempre percebemos como certos discursos, pessoas ou até ambientes reforçam crenças autolimitantes. Por exemplo, indivíduos narcisistas podem usar manipulação para alimentar em você a ideia de incapacidade, desvalorizando conquistas e alimentando dúvidas internas.
Por isso, estar atenta às influências e construir espaços de escuta segura, seja em família, grupos terapêuticos ou ambientes de trabalho, é parte vital do fortalecimento emocional.
Conclusão: O convite à transformação
Eu acredito sinceramente que mudar padrões não é apenas liberdade individual, é um presente que oferecemos ao mundo ao redor. Transformar uma crença negativa faz brotar autoconfiança, permite mais amor-próprio, relacionamentos saudáveis, prosperidade financeira e equilíbrio emocional. E, acima de tudo, inspira quem caminha ao nosso lado.
Podemos mudar a história que nos contaram, e viver a história que queremos contar.
Se você sentiu que é hora de dar o próximo passo, quero te convidar a conhecer o Instituto Flor de Liz e nossas linhas de atendimento, cursos, recursos e vivências. A mudança pode começar hoje, com coragem e acolhimento. Dê a si mesma essa chance!
Perguntas frequentes sobre crenças limitantes
O que são crenças limitantes?
Crenças limitantes são pensamentos ou convicções, muitas vezes inconscientes, que restringem escolhas, ações e percepções sobre si mesma e sobre a vida. Elas surgem ao longo da história pessoal, moldadas por vivências familiares, culturais, sociais ou escolares. Costumam ser aceitas como “verdades absolutas”, mas, na essência, são interpretações antigas que podem e devem ser ressignificadas.
Como identificar padrões limitantes em mim?
Alguns sinais comuns incluem autocrítica exagerada, medo de arriscar, repetição de comportamentos prejudiciais, sensação de estagnação ou ciclo de autossabotagem. Observar pensamentos automáticos, escrever sobre sentimentos recorrentes e buscar apoio terapêutico ajuda muito nesse processo de descoberta e identificação de padrões.
Como mudar uma crença limitante?
A mudança começa com o reconhecimento da crença e o questionamento de sua origem e validade. Em seguida, ressignificar essa ideia antiga, substituindo-a por uma percepção mais positiva e verdadeira, muitas vezes com o suporte de abordagens terapêuticas, como a constelação sistêmica e a psicanálise clínica. A prática de pequenas ações no cotidiano e o acompanhamento de uma rede de apoio reforçam e sustentam a transformação.
Quais os exemplos mais comuns de crença limitante?
Dentre os exemplos mais recorrentes, destaco ideias como: “Eu não sou capaz”, “Dinheiro é fonte de problema”, “Relacionamento saudável não é para mim”, “Sempre serei rejeitada”, “Errar é imperdoável”, entre outros. Cada área da vida pode ser impactada por diferentes padrões, em geral originados no passado.
Vale a pena buscar ajuda profissional para crenças?
Sim. O apoio de terapeutas, psicólogos, consteladores e grupos especializados oferece escuta segura, métodos validados e acompanhamento emocional. Essa rede facilita a quebra de ciclos, proporciona acolhimento e acelera o processo de transformação, evitando recaídas e ampliando o autoconhecimento.
Sayonara Crema
Constelação Sistêmica | Consultoria Organizacional
Psicanálise Clínica | Terapeuta Integrativa | Escritora
📍Serafina Corrêa/RS
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